vendredi 28 octobre 2011

Verbe



É absolutamente visível
toda essa particularidade
sua, absurda
e toda essa dor corrosiva
esse medo longínquo
de se encarar de frente

É comparável à minha
talvez auto-crítica física
invisível
inexistente
materialmente,
mas de forma ou outra
existe, dentro,
afundada nas entranhas
relembrada
religiosamente

É compreensível e
até adorável
mas de sentimentalismo
e delicadeza,
o mundo não quer mais
nem ele nem gente
gente assim,
eu,
e é dessa delicadeza morta
desse sentimentalismo falso
de todo esse amor perfeccionista
e essa falta do verbo amar

Porque se fala de amor
se fala de querer e de
gostar
mas não se fala do verbo
amar,
não é proveitoso
não é bonito o suficiente
não é egoísta o bastante
e o amor é esse amor mesquinho
a paixão incandescente
doentia
recalcada
com os olhos nas almas alheias
com a mente nos sorrisos
terceiros
nos montes de mentiras que
sabem todos
sua cruel realidade

Fale comigo do verbo amar
não do amor louco,
fogo,
paixão e
devoção eterna,
diga só que pretende amar-se
sem precisar dizer
que ama mais
ninguém

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