samedi 4 décembre 2010

Moi



Calorosos toques sem dó
no escuro, de madrugada,
é só assim que eu posso olhar para a sua cara
e balbuciar o quanto você me faz mal.
Dói, de repente
mas só a derme, latente,
você nem existe mesmo,
com essas suas ideologias furadas
... parece até eu.
Esse seu sorriso de idiota,
de quem não saber dizer não.
Você tem um bom cheiro,
e sua alma exala incenso de alecrim.
Na verdade é quase uma mistura,
você cheira a livros antigos, vinis mofados, incenso de alecrim, cigarro e cerveja barata -
e é por isso que eu sempre me afogo no seu pescoço -
para ver se absorvo esse cheiro
essa angústia,
essa essência,
esse som.
E quem pode dizer que não?
Eu te inventei assim,
uma mistura de cheiros, com um sorriso de idiota, sem saber dizer não.
Em síntese,
eu.