jeudi 26 août 2010

Petit liberté



As pessoas sempre me dizem o quanto são preocupadas comigo, as mais próximas de vez em quando me chamam de perdida e as menos íntimas tentam me convencer de que eu faço coisas erradas comigo mesma, e que lamentam por isso.
Antigamente eu era bastante preocupada com isso: doenças, balas perdidas, morte etc. Normal, ninguém quer ficar doente, levar um tiro ou morrer, né? Mas eu cheguei a conclusão de que não dá para levar a vida com medo dessas coisas. Não dá pra deixar de beijar alguém por achar que vai pegar uma herpes, ou de beber a sua cerveja gelada por medo da cirrose, ou de pegar a linha vermelha com medo de levar uma bala perdida e, enfim, acho que vocês pegaram o espírito.
Cheguei a conclusão que não me importo com o quanto vou viver, a bala perdida pode vir amanhã, indo pra casa da minha avó ou voltando de ônibus pra casa. O importante de verdade é fazer as coisas que te dão prazer. Quando eu era um pouco mais nova, estabeleci que minha meta de vida era morrer feliz, e eu acho, sinceramente, que estou no caminho certo.
Eu sinto um puta prazer em comer chocolate, ver bons filmes, estar com boas companhias, fumar a porra do meu cigarro, fazer música, escrever, me dar beijinhos demorados no braço, sentir a ponta dos meus dedos gelados nas costas quentes de manhã, tomar banho ouvindo Iggy Pop aos berros, desenhar, ligar pras pessoas só pra ouvir a voz delas, beber uma garrafa de champagne sozinha em casa com velas e incensos e coisas de macumbeira, dar lambidinhas nas pessoas que eu gosto e, enfim, talvez eu até morra por estar fumando meu cigarro ou bebendo meu champagne. Talvez indo pro cinema eu seja assaltada, dando a lambidinha nas pessoas posso pegar uma doença de pele ou posso me afogar enquanto canto "gimme danger little stranger", mas eu já não ligo pra isso, eu adoraria morrer cantando Stooges!
Quantidade não significa necessariamente qualidade, mas as pessoas costumam teimar que sim. Eu não faço questão de chegar até os noventa anos, não faço questão de ter uma puta saúde, ser a melhor aluna da turma pra chegar em casa sozinha, sem ninguém pra ligar e dizer que tô com saudades, sem poder tirar minha cabeça do mundo e fazer alguma coisa completamente aleatória, conhecer gente nova, sair, dançar nos paralelepídos de Santa Tereza de salto, sair de casa uma princesa e chegar um panda de tanta maquiagem borrada. Eu quero aproveitar, eu quero me aproveitar. Eu nunca vou voltar a ser o que sou nesse instante, por que eu não posso me beijar, fuder com as minhas cordas vocais ou tirar a roupa e dançar Pink Floyd? Eu quero ser livre, mas quero ser livre de verdade, pra não ser censurada por fumar, por beber, por me relacionar com quem eu quiser me relacionar. Quero escutar o que quiser, ver o que quiser, viver da forma que quiser e que me faça sentir bem. Não é pedir demais, é?

mardi 3 août 2010

Paquet


Embrulho.
Como quando você não respira direito e deseja que traguem do seu ar tal qual degustam um cigarro barato. Sente oxigênio correr pelo corpo, lança olhares famintos de dor. Dor, porque falar de dor é falar de paz. E é paz que me deixa assim, embrulhada.
E pele, e sede, e preguiça. E quando Joana Francesa geme de prazer e de pavor, e quando Chico Buarque te traz essa paz avassaladora e sem medo que resulta no embrulho.
Talvez as pessoas gostem mais do frio porque há mais esperança de calor. E calor longo, intenso, bruto. Não calor que vem fácil, porque tudo que vem fácil teimamos em não dar valor.
E o embrulho, que continua dentro de mim.