lundi 23 février 2009

30 pedidos de momento

Eu, buscando essa perfeição inexistente. É como se não houvesse nada, só vazio. Certas coisas preenchem tanto o meu coração quando vento.
Não dá pra fingir, eu não consigo mentir pra mim mesma.
Ah, eu já nem sei mais o que quero.
Ou se espero.
Queria, não sei, queria o Hygor. Pra poder ligar pra ele essa hora e sairmos dando gargalhadas por aí.
Quero o Shido pra dizer que eu sou inconsequênte e estranhamente amável.
Quero segurar na cintura do Lucas, xingar o Pepê e dar um abraço no Matheus.
Queria o Luciano pra me olhar com seus olhos tristes e dar seus sorrisinhos bobos.
Ou o Yuri pedindo pra eu cantar Beatles pra ele quase de madrugada.
Aceitaria até uma conversa boba com o Diego sobre esquimós e procriação.
Ou quem sabe uma desculpa do Nih, dizendo que sempre me amou e que eu sou importante pra ele.
Queria olhar nos olhos do Alexandre e dizer como ele é babaca e ao mesmo tempo o homem da minha vida.
E como tenho saudades dos cigarros anti-alérgicos do Soubi, ou dos carinhos do Shaoran e até mesmo da educação nata do Deko.
Os beijinhos do Pedro e as histórias doidas do Rafael.
Das conversas intelectuais com o Eric e as discussões sobre sainhas com o Léo.
Sinto falta de ver o Nan sorrindo, do bom humor calmo do Doug e da animação crônica do Gustavo.
Quero até mesmo os xingamentos, pseudo-intelectualismo e escrotisse do Horacio.
E daria tudo pra entrelaçar os dedos com o Antônio de novo.
Queria mesmo eram as mãozinhas e gestos malucos do Hich, ou as risadas gostosas do Arthur e a paciência interminável do Mig. Talvez até o Vinícius tocando Regina Spektor com tanto ardor.
Ou o Caio, falando de vampiros, rpg e catando moedinhas pra pagar um copo d'água.
Quero tanto os sorrisos do Henrique ou seus abraços e papos sobre luta.
Da inteligência do Armando, olhando pra todos os cantos do quarto dele, menos pra mim.
E como sinto falta do Iel, correndo de um lado pr'outro, cheio de disposição e eternamente a criança que é.

Pra mim já não bastava mais nada.

vendredi 6 février 2009

Sobre a vida

Comecei a noite de ontem com meu telefone tocando dentro do ônibus do metrô:

"- Fala, pepê.
- Bia, a Fátima morreu."

Maristela. Foi a primeira coisa que pensei. Veio aquela dor no coração, esperei um pouco pro Pepê falar algo como "Brincadeirinha, ela já tá boa e tá voltando pro Rio!" e provavelmente eu diria algo como "Seu gay viado, não brinca com isso!", mas por mais que eu adore chingar ele não poderia ter aquele prazer no momento. E realmente não teria.
Quando cheguei em casa escrevi uma carta pra Maristela, claro. Confesso que não sou boa com palavras de consolo, percebi isso quando o Hygor falou-me dos sobrinhos dele e era como se, sei lá, eu só não conseguia entender o que ele sentia. Agora eu entendo.
O fato é que, como eu disse antes, Deus sabe o que faz. Não sei, as coisas são muito complicadas. Tem gente aí que é ruim que dói e não morre, e pessoas maravilhosas como ela se vão. O fato, que inclusive foi o que escrevi para minha querida ex-orientadora, é que não importa os scraps e e-mails que mandamos depois que sabemos que a pessoa tá mal, é o quanto ela nos marcou enquanto estava bem e saudável. Apesar de tudo, a Fátima fez parte de mim. Eu cultivei um carinho absurdo por ela e sendo metade do que ela foi já seria de felicidade infinita pra mim, porque foi uma das pessoas mais maravilhosas que já tive o prazer de conhecer.

E a vida continua.