samedi 4 décembre 2010

Moi



Calorosos toques sem dó
no escuro, de madrugada,
é só assim que eu posso olhar para a sua cara
e balbuciar o quanto você me faz mal.
Dói, de repente
mas só a derme, latente,
você nem existe mesmo,
com essas suas ideologias furadas
... parece até eu.
Esse seu sorriso de idiota,
de quem não saber dizer não.
Você tem um bom cheiro,
e sua alma exala incenso de alecrim.
Na verdade é quase uma mistura,
você cheira a livros antigos, vinis mofados, incenso de alecrim, cigarro e cerveja barata -
e é por isso que eu sempre me afogo no seu pescoço -
para ver se absorvo esse cheiro
essa angústia,
essa essência,
esse som.
E quem pode dizer que não?
Eu te inventei assim,
uma mistura de cheiros, com um sorriso de idiota, sem saber dizer não.
Em síntese,
eu.

dimanche 28 novembre 2010

Inutilité



Inutilidades imateriais,
sempre se achando melhores que as outras
assim, tolas,
sem aprofundamento
sem pagamento
O pagamento é sempre a carne
a carne, material
que sofre os danos das inutilidades,
que não existem,
que não mentem
Se escondem, ligeiras e incertas
como se tudo fizesse sentido de uma hora para outra,
como se tudo fosse muitíssimo fácil
Ah!, rumores, meus amores
quem diria que de longe
eu poderia perceber essas incertezas traiçoeiras,
de longe,
e me convencer
- pobre e ingênua -
que são lindas,
distintas!
E cheias de traços retilíneos
facilidades loucas e cheias,
sem teias,
sem razão
sem matéria
sem carne.

dimanche 7 novembre 2010

Musique

"Estava tocando uma música do Chico Buarque, e ele parou na porta, ficou ouvindo por instantes de olhos fechados e disse: "Se a música é o alimento do amor, toquem mais e mais para que o amor se empanturre e morra". Depois abriu os olhos, notou o efeito que sua frase tivera nos cabeleireiros, todos víboras com almas sensíveis agora transformados em estátuas boquiabertas, e ordenou que voltassem ao trabalho e que se abaixasse o volume da música."
A Décima Segunda Noite

mardi 26 octobre 2010

mardi 12 octobre 2010

Femmes

samedi 2 octobre 2010

Courbes



Eu queria abrir as portas do mundo, assim, de peito aberto. Nú e fraco.
Na verdade tem uma porção de coisas que eu queria fazer.
Mas assim, exposta por completo, sem essas corridas interpessoais (por mais que ainda existam), sem uma vontade súbita de que os outros mudem, mas sim de que a mudança seja em você.
Não tem modo de falar, não tem delicadeza, amabilidade, afeto que possa mudar isso. Simplicidade e clareza, assim bruta, sem esses rodeios que tiram de foco movimentos que sempre foram retilíneos.
Puxa! Mas eu sempre gostei de curvas.
Curvas no cabelo, curvas na pele, curvas nos dedos. Curvas no papel, curvas no ar, curvas na água.
Tem, dentro de mim, esse desapego fatal, essa fome insaciável, essas palavras contidas. Mas todos curvilínios.
E quem melhor que eu pra com simplicidade, clareza e brutalidade pôr dentro do seu ser meus devaneios em espirais?

mercredi 29 septembre 2010

Viande

samedi 25 septembre 2010

Tigresse





"Com alguns homens foi feliz com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor"

jeudi 26 août 2010

Petit liberté



As pessoas sempre me dizem o quanto são preocupadas comigo, as mais próximas de vez em quando me chamam de perdida e as menos íntimas tentam me convencer de que eu faço coisas erradas comigo mesma, e que lamentam por isso.
Antigamente eu era bastante preocupada com isso: doenças, balas perdidas, morte etc. Normal, ninguém quer ficar doente, levar um tiro ou morrer, né? Mas eu cheguei a conclusão de que não dá para levar a vida com medo dessas coisas. Não dá pra deixar de beijar alguém por achar que vai pegar uma herpes, ou de beber a sua cerveja gelada por medo da cirrose, ou de pegar a linha vermelha com medo de levar uma bala perdida e, enfim, acho que vocês pegaram o espírito.
Cheguei a conclusão que não me importo com o quanto vou viver, a bala perdida pode vir amanhã, indo pra casa da minha avó ou voltando de ônibus pra casa. O importante de verdade é fazer as coisas que te dão prazer. Quando eu era um pouco mais nova, estabeleci que minha meta de vida era morrer feliz, e eu acho, sinceramente, que estou no caminho certo.
Eu sinto um puta prazer em comer chocolate, ver bons filmes, estar com boas companhias, fumar a porra do meu cigarro, fazer música, escrever, me dar beijinhos demorados no braço, sentir a ponta dos meus dedos gelados nas costas quentes de manhã, tomar banho ouvindo Iggy Pop aos berros, desenhar, ligar pras pessoas só pra ouvir a voz delas, beber uma garrafa de champagne sozinha em casa com velas e incensos e coisas de macumbeira, dar lambidinhas nas pessoas que eu gosto e, enfim, talvez eu até morra por estar fumando meu cigarro ou bebendo meu champagne. Talvez indo pro cinema eu seja assaltada, dando a lambidinha nas pessoas posso pegar uma doença de pele ou posso me afogar enquanto canto "gimme danger little stranger", mas eu já não ligo pra isso, eu adoraria morrer cantando Stooges!
Quantidade não significa necessariamente qualidade, mas as pessoas costumam teimar que sim. Eu não faço questão de chegar até os noventa anos, não faço questão de ter uma puta saúde, ser a melhor aluna da turma pra chegar em casa sozinha, sem ninguém pra ligar e dizer que tô com saudades, sem poder tirar minha cabeça do mundo e fazer alguma coisa completamente aleatória, conhecer gente nova, sair, dançar nos paralelepídos de Santa Tereza de salto, sair de casa uma princesa e chegar um panda de tanta maquiagem borrada. Eu quero aproveitar, eu quero me aproveitar. Eu nunca vou voltar a ser o que sou nesse instante, por que eu não posso me beijar, fuder com as minhas cordas vocais ou tirar a roupa e dançar Pink Floyd? Eu quero ser livre, mas quero ser livre de verdade, pra não ser censurada por fumar, por beber, por me relacionar com quem eu quiser me relacionar. Quero escutar o que quiser, ver o que quiser, viver da forma que quiser e que me faça sentir bem. Não é pedir demais, é?

mardi 3 août 2010

Paquet


Embrulho.
Como quando você não respira direito e deseja que traguem do seu ar tal qual degustam um cigarro barato. Sente oxigênio correr pelo corpo, lança olhares famintos de dor. Dor, porque falar de dor é falar de paz. E é paz que me deixa assim, embrulhada.
E pele, e sede, e preguiça. E quando Joana Francesa geme de prazer e de pavor, e quando Chico Buarque te traz essa paz avassaladora e sem medo que resulta no embrulho.
Talvez as pessoas gostem mais do frio porque há mais esperança de calor. E calor longo, intenso, bruto. Não calor que vem fácil, porque tudo que vem fácil teimamos em não dar valor.
E o embrulho, que continua dentro de mim.

jeudi 22 juillet 2010

Mulâtre


Me larga, não tão perto. Pode me beijar, mas só na boca. Não é que eu não te ache atraente nem nada do gênero, você é linda! Uma linda menina com ar na cabeça, mas linda. Mas veja bem, querida, eu não quero nada com você. Pode beijar, pode beijar. Beija, mas só na boca. Deixa eu escorregar as mãos pelo seu vestido colado. Mas não pelos cabelos! Não, nada de cabelos. Meu segundo amor tinha uns cachos, assim como os seus, menina. Tinha eles perfeitos, eu gostava de enroscar meus dedos neles, assim, devagar. Mas nos seus? Não, de você eu só quero beijos - na boca. Beijos na bochecha, testa, ombros é pra quem quer intimidade. Eu não quero intimidade, mulata. Não quero mesmo. Por isso só na boca. Na boca e só. E não adianta me olhar assim! Já disse que você é linda! Tem lindos seios, lindas nádegas, tem essa cor banhada pelo sol. Linda, linda, linda! Mas eu não quero nada, entende? Na verdade eu ando tentando esquecer uma pessoa. Eu confesso que ela não era tão bonita quanto você, nem tão morena, nem tão durinha. Mas ela era a mulher mais linda do mundo! Não, não de rosto. Eu deixava ela me beijar em outros lugares que não fosse a boca. E, veja só, como eu preferia os beijos dela nos meus ombros do que na boca! Mas não vamos falar de outras, vamos falar de você. Já te falei que você é muito bonita? Isso, isso. Só que na boca, por favor.

samedi 17 juillet 2010

Manquer

mardi 13 juillet 2010

Parlé

"Falam de tudo. Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzisses, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber. Mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam."

- Nelson Rodrigues

lundi 12 juillet 2010

Imbécile

dimanche 11 juillet 2010

Faim


 Como todos vocês podem perceber, vem aumentando assustadoramente o número de separações faz, sei lá, uns cinco ou dez anos. Você dificilmente acha pessoas com pais casados hoje em dia. Chega a ser anormal.
O mais engraçado, entretanto, é que eu vejo cada vez mais as pessoas querendo se casar. Obviamente não conseguem manter uma relação por mais de doze meses, mas sonham enlouquecidamente em uma união no papel (às vezes só no papel mesmo).
Certa vez li uma carta de uma esposa ao marido, onde ela dizia que esperava mais do casamento, que não esperava que fosse apenas um suporte para criar filhos e sim um suporte mental. Uma evolução feita em conjunto, unida pelo tal do amor que ninguém nunca sabe direito o que é.
Nossas vidas são todas esquematizadas: nascemos, crescemos, entramos numa escola (quanto mais cara melhor nossa educação), fazemos vestibular (quanto mais desesperado, mais você é estudioso e importa-se com o seu futuro), entramos para uma faculdade (que por mais que esteja caindo aos pedaços, se for de graça, somos o supra sumo do orgulho dos pais), de preferência arranjamos uma rapariga ou um rapaz (obviamente que seja séri@, concentrad@, estudios@ e queira ter uma família. Claro!), começamos a trabalhar, vamos morar junto com a tal pessoa, resolvemos ter filhos, os educamo, esperamos que eles façam o mesmo processo, nos aposentamos e morremos. Isso é a felicidade tão aclamada pelo ser humano.
Certa vez um amigo meu virou pra mim e disse: "Por que você fuma? Você vai morrer". Eu respondi: "Eu sei que eu vou morrer, você também vai. Só que eu, antes de morrer, quero repensar minha vida e dizer "Caralho, eu fiz tudo que eu gostava. Eu fiz tudo que me dava prazer e não me privei de nada que me fizesse bem.", e só".
Ele arregalou os olhos e disse "É, é, talvez você esteja certa" e foi embora.
É óbvio que a sociedade espera algo de você e tem coisas que são realmente imprescindíveis de fazer. Infelizmente temos que nos encaixar no perfil da realidade que vivemos e, bom, isso não é de todo mal. Mas vivam, por favor. Não fiquem apoiados em seus namorados, namoradas, mães, pais, irmãos, avós, amigos, maridos, esposas e qualquer outra pessoa. Vivam com prazer e, se você for morrer cedo? Porra, se você levasse uma bala perdida amanhã também morreria cedo. Você nunca tem controle do seu destino, use isso a ser favor.

lundi 5 juillet 2010

Montrer

samedi 26 juin 2010

Croire


Cuidados com os pedaços de sonho no chão!
Veja bem, eu sei que sou desastrada. Você já deve ter percebido. Mas sabe o que é? A vassoura tá muito longe, eu tô com dor de cabeça, não vou varrer isso agora.
E, não!, não precisa varrer, de forma alguma. Na verdade eu tenho super bonder em algum lugar por aqui, acho que vou tentar colá-los de volta. São bonitinhos até, não são? Assim, preto e branco com esses desenhos abstratos.
Você prefere a cores? Mas meus sonhos não são a cores! Os seus são? Isso é tão esquisito!
Ah, eu sabia que não eram.
Mas talvez o de alguém seja, talvez o de alguém com muito controle mental e espiritual. Talvez de alguém como, não sei, um cachorro talvez. Não!, não!, não quis dizer que cachorros tenham controle mental. Espírito? Espírito nem nós temos! Mas, o que eu estava dizendo?, ah, sim, talvez cor tenha a ver com pureza! Crianças devem sonhar colorido!
É simples não ter espírito. Você acha realmente que depois que você morrer as minhocas não vão se alimentar do seu corpo? Tudo bem que você é bem magrinha e tudo mais, mas elas conseguem tirar uma casquinha desses seus... quanto você mede mesmo? Parece medir uns 1,65, por ai... você tem uma altura ótima, sabia? Queria eu ter essa altura! Odeio ter 1,52! Esse negócio de homens preferirem as baixinhas não tá com nada! E do que me importa mesmo? Eu não gosto de homem! Tirando meu vizinho, o Lucas. Ele é muito bacana, sempre me empresta o isqueiro! Eu gosto dele, só dele... ah!, eu gosto de Caio Fernando Abreu também. Putz! Que homem! Gosto dele. E talvez eu goste um pouquinho do Elvis também, ele era um bom sujeito. Com aquela pancinha e tudo mais, é, é... acho que eu gostava dele.
Mas do que eu tava falando mesmo? Ah! Sobre alma! Minha filha, eu não acredito nisso de alma, espírito, assombração, Deus. Não acredito mesmo! Ih, você é religiosa? Ah, tudo bem então. Eu sempre falo dessas coisas e nem sei se a pessoa acredita ou não nisso. Provavelmente você acredita em alma, todo mundo acredita em alma.. que coisa chata, viu? Não faz sentido nenhum! A alma é o quê? Um gás? Um plasma? Ué, eu só acredito no que é concreto. Vamos lá, nós temos goma, sólido, líquido, gasoso e plasma. E só! Não tem mais nada. Espírito vai ser o que? Sólido? Uma goma? Ia ser bacana ter uma goma dentro de nós. Imagina só! Os médicos abrem para fazer uma operação e... opa!, uma goma! A minha seria verde. Verde é bonito, você não acha? Agora a sua... a sua seria amarela. Não é por causa dessas suas penugens louras, não!, de forma alguma. É porque exala de você amarelo, entende? Amarelo é uma cor bonita, tem a cor da inocência. Ah!, mas seus sonhos são preto e branco... ok, ok... então o que você acha de azul? Azul celeste! Lindo também! Tem tudo a ver com você! Aliás, qual o seu signo, áries? Você tem cara de ariana. Na verdade, agora parando pra reparar você tem um rosto muito bonito! Muito bonito!
Deus! Esqueci seu nome, qual é mesmo? Ih, olha eu falando de Deus de novo... ah! Maria! Belíssimo nome, eu amo Maria! Se um dia eu tiver uma filha o nome dela vai ser Maria. Ou Cecília. Cecília é lindo, não é? É um nome triste. Uma vez conheci uma moça que me disse que os nomes bonitos eram os nomes tristes. E é a pura verdade!
Me desculpe, você só queria uma xícara de açúcar, não é?! Olha como eu sou desastrada! Cortei meu pé com os cacos de sonho!

vendredi 18 juin 2010

Fragmento II


Abelardo não tinha mais olhos. Estava cego.
Abrir as pálpebras era um movimento longo, doentio, escuro.
Afinal, já eram quatro horas da manhã. Quatro horas da manhã de um domingo e ele, no seu quarto escuro, com Maria aos braços.
Ela, com a cabeça deitada em seu peito, sufocando-o. Aliás era exatamente por isso que havia acordado: o ar.
O ar que levitava sob seus ombros com doçura. Maria não era pesada, era leve, por mais dolorosa que fosse.
Tirou-lhe os cabelos do rosto, jogou sua cabeça com delicadeza para o lado e saiu da cama. Cego.
Demorou alguns segundos para voltar a si. Havia misturado tanta coisa no organismo que nem sabia mais dizer o que era o quê. Chegou na cozinha e a luz dilatava suas pequenas pupilas. Cego.
- Acordou?
Ah! Fernando! Fernando não havia ido embora, percebeu com alegria. Mas obviamente não transpareceu nenhuma emoção além do incômodo da luz nos olhos.
- Sim, acordei. Pensei que você iria para casa. – tossiu.
- Prometi que levaria Maria. Como ela apagou, achei melhor ficar por aqui. Espero que não se incomode.
“Eu?! Me incomodar?”, pensou. Era absurdamente claro que não se incomodaria. Aliás, durante três anos não havia se incomodado, por que agora sim?
Passou a mão nos cabelos castanhos, acariciou a própria nuca e olhou para o outro com interesse.
- Você não vai dormir, não?
- Eu tava cochilando no sofá.
- Não, vem dormir conosco. A cama é grande o suficiente.
- Eu sei.
Abelardo teve uma vontade absurda de abraçá-lo. O máximo que conseguiu fazer foi tirar o copo d’água das mãos do outro e levá-lo, tocando na ponta de seus dedos (toque que este considerava o mais obsceno de todos) levou-o até o quarto.
Fernando não tinha muito no que pensar. Mas sua cabeça girava inconstante. Avistou Maria, jogada entre os lençóis e teve vontade de beijar seus olhinhos cansados. Debruçou sob ela e o fez.
Já Abel resolveu que iria acender uma vela, verde.
- Dizem que verde é a cor da esperança.
- Esperança – disse, terminando de beijar os olhos da menina.
Menina sim. Era uma menina. Tinha quinze anos. Parecia ter uns vinte e um, passava uns batons vermelhos cor de sangue. Fernando adorava seus lábios vermelhos, adorava ficar com a boca marcada depois de beijá-la com paixão. Já Abelardo odiava. Achava Maria tão bonita que não precisava de maquiagem para esconder absolutamente nada. Seus olhos, boca, nariz, orelhas e até poros eram lindos!
Na verdade da primeira vez que a viu, pensou que fosse irmã de Fernando. Os dois sempre tão ligados, tão apaixonados. Assim que trocou as primeiras dúzias de palavras com este disse “Veado. É gay, tem que ser”. “Mas eles parecem tão ligados..”, pensou. “Não, é hétero com algum trauma de infância... só pode ser”.
Foi até engraçado relembrar o tempo que se conheceram. Sorriu de canto de boca, bamboleou, andou três passos e caiu ao lado do outro.
- Do que você estava rindo?
- De você.
Fernando passou a mão direita por baixo do pescoço de Maria e o esquerdo pelo peito de Abelardo. Pressionou a mão sob suas costelas. Leveza.
- A cabeça de Maria fazia exatamente essa mesma pressão – lembrou.
- Dói?
- Não, é bom.
Deu-lhe um beijo no nariz e um sopro forte, apagando a vela. Sentiu um pouco do suor de Abel, entre a penugem do peito. Beijou-lhe o queixo e virou a cabeça em frente a sua, deixando a respiração bater em seu rosto.
Permaneceram assim até descobrirem a liberdade.

lundi 14 juin 2010

Bouches

Tambores internos batendo com força. Dava até um arrepio só dela pensar na sua respiração ofegante de tanto correr de um tira com capa de chuva. Seus pés descalços no chão, cheios de lama e cacos de sonhos. As pupilas dilatadas de medo.

- Você esteve aí o tempo todo?
Ele a olhava assustado, como se fosse a última pessoa que ele pensaria encontrar. E ela realmente era.
- Depende do que você chama de "o tempo todo". Só desci pra fumar um tabaco, há uns vinte minutos atrás.
Seus cabelos cobriam os olhos e ela quase não enxergava-o com clareza. Mas não fazia particular questão. Pelo cheiro de sangue e álcool ele com certeza havia se metido com algum policial com capa de chuva.
Ele cuspiu no chão enquanto ela sentava com brusquidão no chão sujo debaixo de um vazio viaduto. Ele coçou os cabelos:
- Então tá. Eu posso te pedir um favor? Tenho que resolver uns problemas e tem uma menina no meu carro esperando - ele enfim parou para respirar - Você sabe como é o carro, né?
- Claro que eu sei - "perdi minha virgindade lá, idiota", pensou. Mas obviamente manteve os cabelos na cara e a fumaça na boca.
- Então, você poderia avisá-la que eu tive que resolver uma coisa?
Assentiu com a cabeça e ele continuou mancando, em direção à escuridão da rua. Obviamente ela não avisou a garota alguma que seu namoradinho teve que fugir por ter sido pego tomando um pico e que, meses depois, estaria debaixo de um viaduto guardando fumaça na boca.

dimanche 13 juin 2010

Femelle



Foda-se a porra da moralidade.

jeudi 3 juin 2010

Fragmento I

Serpentes circulando por meus veios sanguineos. Tudo parece simplesmente rodar vagarosamente por sua mente cheia de ar. Parece que você me deixa nesse estado cabuloso de espírito, como se seus olhos fossem a porta do inferno.

Nesse mesmo dia pequenas falhas foram percebidas por ele no topo da cabeça, como se fossem simples esperanças - em forma de fios de cabelo - que estivessem caindo sob seus ombros, sem poder colocá-los no lugar. Seu hálito cheirava a tabaco roubado e sua alma a verniz. Verniz sim, para protegê-la de pequenas interferências cegas e sem compaixão. Ele ouvia um disco antigo dos Rolling Stones, o mesmo que fala de escravos e amor - e não sentia nada além de tontura. Suas mãos, paradas e desfeitas de um contínuo movimento obsceno. A cada vez que tragava o cigarro com força, isso lhe dava um prazer perdido, incontestável, obsceno.
Ela, pelo contrário, se debruçava contra suas pernas, jogadas no sofá vermelho. Tudo nele simplesmente a encantava - até o simples tragar do cigarro - e fazia disto seus gestos obscenos. Tocou em seus braços com ardor e disse:
- Pára de escutar essa merda.
Ele ofendeu-se e se pôs ereto, vagarosamente, para responder.
- Você está realmente falando mal dos Stones?
Ele se contorcionou num movimento de negação. Na verdade ela gostava dos Stones. Estava apenas censurando-o para acabar com o silêncio mortal entre ambos. Não que silêncio a incomodasse, só queria ver seus lábios abrindo e direcionando-se somente a ela. Ah!, não havia nada demais em seus lábios. Eram finos e umedecidos, com o gosto indecifrável de cigarro. E como ela suportava aquelas lábios. Sentia-se quase uma criança, descobrindo várias vezes exatamente a mesma coisa. Mas como seus gostos, sabores e gestos labiais mudavam com o tempo. Era simplesmente absurdo dizer que toda vez que ela o beijava, ou via-o falar, ou simplesmente encostava em seus lábios era de homens diferentes. Completamente diferentes. Nunca dissera-o isso.
- Você devia ser menos calada. - E agora ele reparava em seus olhos fixos em seus lábios. Lábios que ele havia herdado da mãe: finos, molhados e com cheiro de tabaco. Ele recostou-se no sofá, jogando a cabeça no ombro do mesmo, olhando para o teto, alienado. "Chega de vinho", pensou. E de repente subiu-lhe um enjôo. Olhou novamente para ela, dessa vez de rabo de olho. Percebeu que agora ela olhava para um quadro na parede, que ele mesmo havia feito, ironicamente para outra mulher. Censurou-a com o olhar e o enjôo passou de repente.

mardi 18 mai 2010

Imposteur



Não aja como se estivesse tudo muito bem.

lundi 10 mai 2010

Lumière part II



Você está só no meio do caminho
o caminho das almas perdidas
cale-se antes que vire comida

dimanche 9 mai 2010

Cicatrices

lundi 19 avril 2010

Vie


Às vezes você quer ser que nem personagens de filmes. Intensos, reservados, astutos, charmosos e interessantes. Achar um rapazinho ou uma rapariga muito d@ bonit@ e inteligente. Você fica esperando que apareça alguém na sua vida que deixe você sem ar, aquela pessoa completamente irreverente e imprevisível.
Eu sei, porque eu esperava essa tal pessoa na minha vida. Mas eu parei pra pensar, há um ano ou mais, que por que eu não poderia ser a pessoa irreverente e imprevisível na vida de outra pessoa? Porque vou ficar esperando se eu posso ser exatamente como quero?
As pessoas são sempre tão desesperadas. Elas apostam todas as fichas em encontrar um amor verdadeiro, construir uma família, ter um emprego que pague bem e..? E...? Só isso? Isso faz a sua felicidade?
Se amanhã você sofre um acidente, perde toda a capacidade de se mover, de falar, se amanhã você descobre que não pode gerar uma criança, a sua vida acaba? É realmente tão importante assim tudo isso? Por que essa felicidade tem que ser vivida no futuro? Viva uma felicidade agora! Conheça pessoas novas, converse com gente desconhecida, escreva, cante, faça um filme, entre no mar de roupa, abrace alguém que você sempre quis abraçar, pare pra escutar o sanfonista na sua esquina, fure o corpo, dance, corte o cabelo bem curto, saia um dia sem maquiagem, deixe de fazer a barba por um mês, experimente comidas que você nunca experimentou antes, aprenda a cozinhar, ponha um biquine ou uma sunga, dê um presente pra alguém que você gosta em um dia comum, tire o dia pra ficar consigo mesmo, viva!
Você está se esquecendo de viver!

mercredi 14 avril 2010

Changement

mardi 6 avril 2010

Cigarette


Desconfia dos que não fumam:
esses não têm vida interior, não tem sentimentos.
O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar
Mário Quintana

jeudi 1 avril 2010

Millésime

lundi 29 mars 2010

À la prochaine

Foda-se.

dimanche 28 mars 2010

Sans cesse

Amor. Ai, eu vim. Eu vim de novo falar sobre amor.
Porque amor é esse desencadeiamento de sensações que te trazem pra tão perto de mim. Não é só por uma pessoa que amor cresce e cresce e vira um pé de batata na sua geladeira (!), mas amor é o que me deixa tão nervosa por te ver, a deriva, nesse mundo que não é pra pessoas como você. Que sentem.
Ai meu amor! Se eu pudesse gritar com todo o ar dos pulmões o quanto eu te quero bem! Ah, se eu pudesse me envolver com a sua carne, seu ar, seu jeito, seu gosto, seus sentimentos e tudo mais que esses poemas baratos falam por aí.
Meu benzinho, amor é amor (e o lance é o lance rê). E o meu amor é cada vez mais crescente e cada vez mais fraterno. Eu quero te proteger a todo custo. Nada que eu faço é pra te magoar, é só seu carinho e amor que me movem e, ora bolas, o que seria de mim sem ele?
Te quiero, sempre. (:

Rendre

samedi 20 mars 2010

Banal



Quando você se sente imprestável a ponto de decepcionar as pessoas que levou tanto (ou tão pouco) tempo para cativar.

jeudi 4 mars 2010

Révolté


A gente só se dá conta de certas coisas quando estas chegam a acontecer. Esses dias tava pensando em como eu me sinto mal por querer fazer certas coisas que me censuro. Sabe, as pessoas não são complicadas, a gente que complica elas. Somos nós que esperamos que elas venham falar conosco, e que nos dêem sorrisos primeiro, que nos abracem e digam que nos amam. Espero tanto, mais tanto que no final só resta decepção. Porque, se nós não tomamos iniciativa, estas deveriam tomar?
Tem sempre aquela coisa de "não deixa pra amanhã o que você pode fazer hoje", mas será que realmente conseguimos não postergar as coisas?
Pelo medo, pela timidez, pelo constrangimento, pela dor, pela raiva e até pelo amor. Viver em si é um postergamento eterno.
Esses dias em que eu tenho ficado em casa, curtindo o frio e leite quente fiquei me lembrando de umas coisas bem bem antigas. De uns sentimentos enterrados e lacrados por serem feios e ruins demais. Bem ou mal acabei por sentindo-os de novo e me perguntei porque eu não podia logo deixar claro minhas angústias pras pessoas entenderem que estão me machucando. E, sinceramente, das vezes que eu tentei e deixei explícito, elas não ligaram. Não que eu espere que liguem! Eu acho que cada um é cada um e tem o direito de fazer o que bem entender. Mas certas pessoas - inclusive certas pessoas que eu amo demais e considero amigas - me doem de ficar perto delas. E às vezes me pego perguntando a mim mesma se é esse o tipo de amizade que eu quero.
E não só isso como as relações novas também. Todas sempre tão gostosas no início até que você descobre que a pessoa em questão também tem defeitos (oh! quem diria!) e dai vem sempre a opção de superar ou não isso. Óbvio que sempre pode ter muito orgulho, medo, indignação, decepção e outras coisas no meio, mas superar ou não vai sempre pelo quesito 'estar bem ao lado da pessoa'. Muitas vezes, no entando, a decepção e a intolerância podem superar o 'estar bem' - como é o caso de uma relação minha haha.
De qualquer forma, pessoas, relações e sentimentos nunca serão perfeitos e gostosos de sentir. O importante é sempre tentar se manter bem, guardar, realmente, certos ressentimentos e se algo te faz mal, tentar abolir isso, por mais difícil que seja.

Eu ainda ia falar de paixões platônicas mas vou deixar pra outro post haha.

mardi 2 mars 2010

lundi 1 mars 2010

Rapidement


Às vezes as pessoas vem e vão tão fácil. E nós nos apegamos tão fácil. Só o que não é fácil é lidar com a dor depois.

mercredi 17 février 2010

Acceptation

Às vezes é tão difícil lidar com o próprio corpo. Buscamos tanto uma aceitação, um elogio, um sorriso que chega a ser um tipo de escravidão. Achei essa lindeza esses dias no flickr e ela é simplesmente tão linda, tão sensual e tão normal que chega a ser assustador! Depois disso fiquei pensando sobre aceitação de si mesmo. Naquele vídeo do protetor solar o narrador fala que a o nosso instrumento mais importante é o próprio corpo, e é verdade. Óbvio que não vai ser de uma hora pra outra que nós meninas vamos nos livrar de nossos complexos, mas entender que somos normais e saudáveis e andar com gente que admire isso e te ponha pra cima é essencial.
Vocês são todas lindas, acreditem.

samedi 13 février 2010

Petit


Engraçado como felicidade pode vir em coisas tão pequenas. Um pequeno “vai toma no cu” do Miguel ou um sorriso do Sugaya, um “nhô” da Marcela ou uma carona da Milk.
Ai, que delícia! Estou me sentindo maravilhosamente bem hoje!

mardi 9 février 2010

Femme

lundi 1 février 2010

Espérer


Era mais que só um gostar. Ela era, sim, uma mulher incrível, mas como dizê-la que estava apaixonada? Apaixonada não só por Maria, mas também por Abelardo! Não era melhor simplesmente esquecer e fingir que ela fora a única paixão verdadeira de toda a sua vida? Não, isso era errado.
- Olha, eu te amo. – começou – Não chora, tá. Eu realmente te amo.
- Mas – e agora Maria olhava-a com olhos de preocupação, esperando o pior – eu não amo só você. Eu amo outra pessoa também.
- Como assim?
- O nome dele é Abelardo. Eu o conheci numa livraria aqui perto. Eu estou apaixonada.
- E como você consegue amar duas pessoas ao mesmo tempo? – choramingou.
“Como eu consigo amar duas pessoas ao mesmo tempo?”. Era uma boa pergunta. Nós somos ensinados que só podemos amar uma pessoa de cada vez. E, realmente, a vida toda ela só havia amado pessoas uma por vez. Mas, pensando nesse instante, se todas as pessoas que ela já havia amado estivessem em sua frente no exato momento que Maria lhe fez essa pergunta, ela também estaria amando todas ao mesmo tempo. Amor não se apaga, ele só fica guardado, meio jogado num canto do quarto, quieto, esperando pra que você se lembre dele e o pegue de vez em quando. Isso é amor. Ela era completamente fiel a seus amores. Fiel de alma, não de carne. Carne é carne e isso não significava nada para ela. Mas como explicar a Maria isso?

jeudi 28 janvier 2010

Sentimental


"Bia, não tem espaço pra pessoas fracas no mundo."
Sentimental demais pra viver, você.

Toi et toi


Vou me afastar de você e de você. Eu sabia desde o início que só podia amar o Saulo, mesmo. Tô nem aí, nós vamos morrer por aí!

lundi 25 janvier 2010

Premier


As primeiras pessoas são sempre as que marcam.

Poésie


Eu tenho tantas poesias com seu nome...

Jeu


samedi 23 janvier 2010

Choisi


Escolhas. Você começa.

mercredi 20 janvier 2010

Peine


samedi 16 janvier 2010

Angie



I hate that sadness in your eyes.

jeudi 14 janvier 2010

Perdu


Eu ando perdida no deserto do seu coração procurando um oásis para lavar minha alma.

mercredi 13 janvier 2010

Silence


Eu amo até o jeito que você deixa as outras loucas.

Fermer


mardi 12 janvier 2010

Transcender


Transcender, em francês.

Lumière


Quando nós nascemos nós viramos luz.
Então, se quando amamos nós nascemos de novo,
logo podemos virar um tipo de sol?
Sabe, emitindo raio solares
e mais luz.

vendredi 8 janvier 2010

Époque


1. Como é acordar todo dia e fingir que você não está morrendo?
2. Você acredita em pena de morte? O que você acharia se alguém matasse sua mãe a sangue frio? O que você acharia se alguém matasse a mãe de um estranho, mas essa mesma pessoa salvou sua vida no mês passado?
3. Qual é a diferença entre "viver" e "existir"?
4. Quando você ajudar alguém, você fica pensando "o que eu vou ganhar com isso?"
5. Qual foi o presente mais caro que você já recebeu? Foi o melhor presente que você já recebeu?
6. Você se pergunta muitas perguntas, ou se contenta com o que sabe?
7. Roubar é imoral, certo? E se roubar fosse a única maneira de alimentar uma criança morrendo de fome?
8. Se eu te der R$ 20,00, qual é a porcentagem que você irá realmente poupar? Se eu te der R$ 200.000,00, qual porcentagem você irá poupar? Deveria realmente existir alguma diferença?
9. Se alguém soubesse o dia e o tempo exato que você ia morrer, você gostaria que lhe contassem?
10. Se você descobrisse que iria morrer hoje, você se arrependeria de algo? Você seria feliz pela maneira como passou as suas últimas 24 horas?
11. Lembre-se do maior fracasso da sua vida. Olhando na perspectiva presente, ele te tornou mais forte ou mais fraco? O que você aprendeu?
12. As palavras "independência" e "liberdade" significam não ser perseguido ou discriminado, ou será que significa fazer o que você quiser?
13. Você já discrimou alguém? Imagine que uma gangue de rua que usa camisas roxas robam e assasinam centenas de pessoas na sua cidade. Se uma pessoa usando uma camisa roxa tocar sua campainha, você vai atender?
14. É mais louco escolher ser pobre ou gastar 40 anos da sua vida se odiando 40 horas por semana?
15. Você já sentiu que faltam horas no dia? Quantas horas da semana você gasta vendo TV ou jogando videogame, ou....?
16. Você já comemorou algum farol verde?
17. Se pudessem te dar um outro talento ou habilidade, o que você gostaria de fazer? Você já tentou aperfeiçoar essa habilidade?
18. Não importa o quão feia esteja a situação, você tem consciência que sempre tem alguém pior que você?
19. Se você tivesse um amigo que falou com você da mesma maneira que às vezes você fala consigo mesmo, por quanto tempo você permitiria que ela fosse sua amiga?
20. As maiores felicidades estão nas pequenas coisas da vida. Com o que sua felicidade se parece hoje?
21. Você prefere ser rico e paralítico do quadril para baixo ou pobre com saúde?
22. Você está disposto a sacrificar a vida do seu filho ou do seu amor para apoiar uma guerra?
23. Quando foi a última vez que você mentiu? É possível mentir sem dizer nada para ninguém?
24. Se você pudesse fazer tudo de novo, você mudaria algo?
25. Se sua história fosse um romance, qual seria o título e como a história terminaria?
(via @muitolegal)

lundi 4 janvier 2010

Carton


Eu amo pessoas como você. Assim, nuas! Sem roupas tudo fica tão mais claro. Eu consigo ver, afinal, que você é feito de carne, osso e poesia. Sim, poesia! Ela exala de você total e completamente! Eu nunca vi, eu sei, mas ela exala. Está longe de ser algo que eu nunca vou poder ver.
Sonhos, pedaços, almas, asas. Papelão! É tudo de papelão!
Você sempre com esses seus gestos contagiando com tanta ternura! Você! Você! Você! É absolutamente tudo sobre você e sobre seus olhos. Sobre o que invade seu corpo - nú - por dentro. Você é tão incrivelmente e dolorosamente adorável.
Respire fundo, deguste o ar que você traga. Tá só começando. Olhe você mesmo pro seu corpo descoberto. Você sabe que ainda tem muita vida aí.
Muita vida de papelão.

Tu


Quatorze mil pétalas. De quê? Você pode escolher.
Você tem o cheiro de todas elas. Eu nunca senti. Mentira, senti sim! Algumas vezes, talvez várias. Você tem o cheiro de todas elas juntas, eu sei que tem.
Mostre esses seus olhos escondidos, eles são tão bonitos! Você anda sempre sem rumo por aí.
Ei, eu estou aqui.
Ei, eu sou seu motivo.
Eu concordo plenamente que não cheiro a... a essa flor que você cheira! Ou essas flores.
Mas, veja bem, eu tô sempre aqui. Sem rumo também.
Talvez você até ache que eu tenha um, mas é tudo pra deixar as pessoas mais tranquilas, sabe? Elas sempre acham que você tem que ter um rumo. Isso não é tão ruim assim.
Talvez meu rumo seja até uma Carolina com caracóis na cabeça, uma Clara com a pele banhada pela lua ou uma Mariana com suas madeixas negras caindo sobre seus olhinhos brilhantes.
Ou talvez seja tudo isso junto! Você, essas criaturas maravilhosas e whisky com suco de laranja!
Jesus! Só acho que agora as pessoas não vão se sentir mais tão confortáveis com o meu rumo.