samedi 29 novembre 2008

#02

Ele entrou devagar no vagão, arrastando suas pernas cansadas e franzindo a testa com impaciência. Sentou-se numa cadeira vazia e apoiou uma caixa de papelão forrada com um papel barato rosa, fechando os olhos fortemente.
Seu quase moicano grisalho meio despenteado mesmo assim ainda não conseguia livrar-lhe as rugas da experiência, mas havia algo que o deixava ainda mais jovial. Antes mesmo das roupas esportivas de marca que usava; Um buquê de rosas.
Tão seguro em seus dedos cansados, sentindo a brutalidade de um amor cansado em seus caules delicados. Ah, e como eu desejei que aquele pequeno buquê de rosas fosse meu.
E certamente isso me lembrou meu amor, tão forte e clandestinamente me envolvendo. Eu, tão frágil quanto rosas, tão segura por aqueles dedos, tão envolvida pelo suor de suas mãos, tão iludida com um sentimento que nem nome tem e, claramente, nunca terá.
A viagem continuou. Ele não largou o buquê. Imaginava agora quem seria a pessoa de sorte à recebê-lo. Uma amante romântica, uma esposa cansada, uma filha decepcionada, uma garota qualquer da rua. Seja quem fosse, ele não a largaria jamais. E seguraria-a tão forte quanto um pequeno buquê de rosas.

mardi 18 novembre 2008

Sorrindo, eternamente.

Me sinto hipócrita, fútil, magoada comigo mesma, desesperada.

Certas coisas fazem realmente falta? Estou me enganando e metendo gente que eu gosto no meio. E estou me matando. Sinto que vou acabar perdendo tudo, pra que jogar dados viciados? Não aguento, não aguento isso. Mas também não me aguentava antes. Eu preciso disso, mas sei que no final vou precisar de tudo mesmo, já que não terei nada. Ter o poder de magoar as pessoas é pior do que ser magoada.
Do you want to go to the seaside?
I'm not trying to say that everybody wants to go
I fell in love at the seaside
I handled my charm with time and slight of hand

Do you want to go to the seaside?
I'm not trying to say that everybody wants to go
I fell in love at the seaside
She handled her charm with time and slight of hand, and oh

But I'm just trying to love you
In any kind of way
But I find it hard to love you girl
When you're far away
Away

Do you want to go to the seaside?
I'm not trying to say that everybody wants to go
But I fell in love on the seaside
On the seaside
In the seaside


Seaside - The Kooks

mardi 11 novembre 2008

Faire Chier

Então que se foda.
Que se foda vocês todos, seus malditos sentimentos, o modo como criticam sem parar a todos.
Eu não ligo, eu não quero ligar. Por que é tão difícil parar de pensar em si mesmo por um segundo?
Caralho, nós temos tudo. Você, eu, até seu maldito cachorro deitado no tapete da sala. Com o que você se importa? Com o quanto aquele carinha boa pinta não liga pra você? Com o quanto a garota da sua vida te esnoba e cospe na sua cara? Com ter se frustado com um amigo por causa de um orgulho que você não consegue ferir? E o resto? E o mundo? E quem nem orgulho tem?
Qual o problema? Por que tão insensíveis? Por que tão frios? Por que tão cruéis? Que adianta pedir a porra da paz se você não consegue manter paz nem com o seu coleguinha de classe? O que passa na sua cabecinha oca? O quanto você está gorda? O quanto sua barba cresce rápido e ter que fazê-la todo dia é insuportável? O quanto você odeia quando chove de manhã? E aquela tatuagem com o símbolo da paz e do amor que você sonhou tatuar? E ter participado da parada gay contra o preconceito só pra conquistar um social com os amigos e pagar uma de "sou liberal"? E os animes de nerd-otário que você vê e idolatra as frasezinhas clichês? E os textos que você posta na porra do blog fingindo estar rebelado com tudo? Porra, que se foda.