dimanche 22 décembre 2013

Respiration



Dos dilemas do amor: deitados cara a cara e a respiração atrapalha.

dimanche 10 novembre 2013

Chair



Quando o vazio do estômago
urge, incapaz
e a boca saliva
            a pele

E a fome embrulha a vontade
comprime as vísceras
e os dentes mordem
            a carne

Da dor, do som
os lábios alcançam
o couro cansado
            de inópia

Quando dá fome
aproximam-se os corpos
de ausência constante
            nutrindo-se

mercredi 26 juin 2013

Estatuto do Nascituro


Gostaria de fazer um apelo a todos. Tenho muita gente de várias religiões, vertentes políticas e visões por aqui e respeito, admiro e compreendo todas elas; acho que a pluralidade nos faz mais ricos. No entanto, ando angustiada por um motivo que acho que é do interesse de todos: o estatuto do nascituro¹.
O que é o projeto? Ele trata do aborto em caso de estupro. Ele pretende, dentre outras coisas, criminalizar o aborto que é atualmente permitido em caso de violência sexual; identificar o estuprador como pai da criança e botá-lo na certidão de nascimento da mesma; propor ajuda econômica estatal para criar a criança caso o estuprador não arque com a pensão.
Por que esse projeto não pode ser aprovado? Mulheres fazem abortos diariamente. Muitas morrem nesse processo. Muitas tem filhos fruto do estupro. Muitas, mesmo com o aborto criminalizado, continuam pagando, continuam fazendo, continuam morrendo. De que adianta proteger a vida se você vai ter um filho que odeia, que não tem condição de alimentar, de educar, de cuidar? Essa pode não ser a realidade de uma mulher que engravida e é de classe média ou alta, mas é a realidade de muitas mulheres pobres, que são obrigadas a ter os filhos e muitas vezes jogá-los de lado. De que adianta proteger uma vida in utero se fora dele ninguém respeita a vida dessa criança? Nem as mesmas pessoas que são contra o aborto.
Imagine você, se mulher, tendo um filho e na certidão de nascimento dele estar o nome do seu estuprador! Estuprador não é pai. Não é nem bicho, é muito menos que isso. Agora imagine você, homem, e sua namorada, sua irmã, sua esposa ou sua mãe estupradas e o estuprador ser considerado pai dessa criança!
Não estamos falando de um aborto com uma criança de oito meses, já praticamente formada. Estamos falando do aborto de um embrião antes das 24 semanas de gestação, que não pensa e não sente dor².
É excelente que haja o apoio financeiro do estado caso a mulher decida ter o filho fruto do estupro; muitas decidem tê-lo e é bom que o governo se mexa para ajudá-las. Mas é preciso compreender que o aborto é uma questão de saúde pública. Mulheres não deixarão de abortar por ser crime ou não. Já existem números indicando que em países onde o aborto é permitido o número de cirurgias é muito menor do que quando era crime. No Uruguai os números já caíram e o aborto só foi permitido em outubro do ano passado³
Por favor, entendam a seriedade do problema. Repensem suas posturas em relação a esse tema e tentem se colocar na pele dessas mulheres, violentadas, abusadas, sem condições psicológicas e/ou financeiras para ter um bebê. Porque, afinal, amanhã pode ser qualquer uma de nós.

¹ Na íntegra: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=443584&filename=PL+478%2F2007
² Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/06/100625_feto_dor_mv.shtml
³ Fontes: http://noticias.terra.com.br/mundo/america-latina/uruguai-governo-diz-que-numero-de-abortos-diminuiu-apos-descriminalizacao,ef6beaf4539ad310VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html e http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121017_uruguai_aborto_vota_dm.shtml

jeudi 16 mai 2013

L'amour libre



Ultimamente eu tenho voltado a escutar o termo amor livre por aí. Todo mundo falando sobre infidelidade, descomprometimento, etc.
No início da minha adolescência eu me deparei com essa expressão e achei fantástica: "Sim! Somos livres para amar, em todos os aspectos, e isso é incrível!", pensei. A pauta do amor livre não foi verdadeiramente discutida nessa época, mas eu sempre tive um sentimento de carinho pela expressão.
Nesses últimos tempos - onde todo mundo têm falado de amor livre - seu sentido vem atrelado sempre aos aspectos que citei no início: descomprometimento, infidelidade, traição e "pegar geral". Foi meio assustador quando me apresentaram essa visão do amor livre; logo ele, que era tão amigável há uns anos atrás!
Parei pra pensar sobre isso um pouco, de como as palavras carregam um peso tão grande e às vezes só por serem mal empregadas. Pra mim, amor livre foi, e ainda é, liberdade para amar (tal como o próprio termo já sugere) e liberdade significa poder de escolha, é seguir o que se sente. Pra mim o amor livre pode ser poligâmico, monogâmico, heterossexual, homossexual, pansexual, pode ser travestido, invertido, aberto, fechado, colorido, preto e branco e de cabeça pra baixo. Isso é o fantástico do amor livre! Não se prender a morais, não ir contra o que você sente, respeitar seu corpo, respeitar a pessoa com a qual você se envolve. O amor não deve ter rótulos: cada um ama da maneira que pode e que lhe satisfaz.
Amar livremente não necessariamente implica em se envolver com várias pessoas ao mesmo tempo; a monogamia também pode ser amor livre. O importante é que a escolha que se faz é livre porque é sua, vem de dentro, traduz o que se sente e todo o tipo de amor é válido quando verdadeiro.
O amor não tem regra, não tem script nem garantia. A garantia que fazemos é de vivermos bem conosco, com quem amamos e com nossas escolhas; não há melhor garantia do que a felicidade.
Amar livremente é viver intensamente. E que mais nos resta nessa vida do que sermos felizes?

vendredi 22 mars 2013

Nous




eu quero escorregar nas suas curvas
me afundar em você
respirar, só o quanto precisar
queria me sentir assim,
tal como você,
pegando-me, vasta
te sentindo
nos envolvendo
porque acho
que quando falo de nós
falo de mim
falo de você
e se não me toco como em você
se não me envolvo,
se não me sinto,
se não me quero,
se não me amo
esse nós não existe mais
e eu não quero só você
quero tudo
me quero junto
nos quero juntos,
nós