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Ode à la fantaisie

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  Me beija? Queria que você me beijasse outra vez. Queria que fosse com calma pra sentir seu gosto e seu cheiro. Já não sei quantas vezes me perdi nas minhas cobertas pensando em você. Não sei discernir o que é real do que é fantasia, nunca soube. Mas tem algo sobre você que me faz arrepiar dos pés à cabeça. Sinto principalmente acumulando no meu peito, subindo pela garganta e terminando em choro. Tenho vontade de dizer que sinto saudade, mas ao mesmo tempo sinto que nunca te conheci. Lembro tão bem dos seus olhos tão escuros, talvez os mais escuros que já tenha visto. Não conseguia diferenciar sua pupila da íris, assim como nunca consegui te ver totalmente. Eu amo a sua doçura. Você é tão doce que dói. Às vezes sinto que seu silêncio é para proteger toda a sensibilidade oceânica que existe em você. Me sinto estranhamente segura com você. Eu sinto que teria vivido mil vidas com você. No fundo, eu sempre esperei um "estou indo te encontrar" seu. Tenho a impressão que não fui a...

Cuidado

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  Acho que 2025 foi o ano do cuidado. Na verdade, meus últimos três anos têm sido sobre esse tema e, mais especificamente, o desenvolvimento do cuidado de mim para mim mesma.  Se 2023 foi a quebra, a ruptura, e o alarme de que não estava sendo cuidada - nem pela cidade que eu vivia, nem pelo amor -, 2024 foi o ano de buscar cuidado no exterior. Me permitir ser posta no colo, ser cuidada por outros, me sentir só, mas também amparada. Me senti muito amparada pelas pessoas que entraram na minha vida e me sinto tão grata por ter encontrado com elas... Acho que elas nem sabem o quanto agradeço pelo tempo que passamos juntas.  Ao final de 2024, entretanto, me senti mais potente e, pela primeira vez, podendo caminhar com minhas próprias pernas. Com medo, mas fui com medo mesmo. Me joguei em aventuras, quis provar o novo, quis arriscar e me sentir viva.  De fato, no segundo semestre do ano, deixei de me sentir frágil para me tornar potente. Deixei de me pôr passivamente à di...

Maria faz 79

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Acho que conheci Maria no segundo ou terceiro dia em Lisboa. Ela é minha vizinha do sétimo esquerdo. Uma senhorinha de um metro e sessenta, cabelos brancos, olhos claros e usa óculos. Maria me recebeu tão amorosamente que nem entendi. Não esperava logo de início já conhecer uma vizinha e me dar tão bem com ela. Aos poucos, todas as vezes que nos encontrávamos na entrada do prédio, íamos conversando amenidades, ela me mostrava fotos da família, me contava sobre o bairro, sobre o prédio, sobre os vizinhos, sobre o mundo. Em dois anos, Maria acompanhou meus relacionamentos românticos, meus amigos hospedados, cuidou das minhas plantas enquanto eu viajava, me trouxe picolé, pão e almoço, me deu muitos beijinhos, me ajudou a ligar para o chaveiro quando me tranquei para fora de casa. Às vezes sentamos nas escadas do prédio como duas garotinhas e falamos sobre a vida, outra vezes bebemos cafezinho na mercearia de baixo ou no restaurante da frente. Ela para para falar com todas as pessoas, sem...

Inadaptabilité

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Das coisas que aprendi recentemente: Sou especial do jeito que sou. E sei que sou um pouco diferente. É difícil gostar de pessoas e sentir medo de não ser aceita, mas é importante ser sincera consigo mesma desde o princípio. Claro que não preciso dizer tudo sobre mim desde o primeiro momento, mas dá pra saber quando alguém se sente interessado no que falamos / dizemos e vice-versa. Insistir com quem me faz sentir vergonha de ser quem sou é ruim. Não devo persistir nisso. Esse é o maior aprendizado dos últimos meses. Não tem nada de errado em ser como sou e, se as pessoas têm julgamento a meu respeito (errôneos ou não) e, especialmente, se querem que eu me encaixe em um formato, então preciso me retirar o mais rápido possível. Falar é muito bom, mas os sentimentos talvez sejam os nossos melhores guias. Esse exercício tem sido importante também, porque durante meu processo de separação houve muita pouca comunicação verbal, mas muita comunicação não verbal e muitos sentimentos intensos, q...

O que aprendi sobre términos

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Acho que a parte mais difícil, mas também a mais importante, dos términos é conseguir ter material o suficiente para entender seus padrões, qual é o seu calcanhar de aquiles nas relações. O que descobri sobre mim é que sou bastante teimosa. Obcecada. Muito autocentrada. Abraço meus demônios e às vezes me apego à eles. Descobri que meu coração é meu grande guia e que sempre que ando em desalinho com ele, me perco nas desventuras da agonia. Me perco em mim. Descobri que sou excelente em demarcar meu próprio território, em mandar, em estabelecer limites. É difícil escrever, assim, tão cruamente, as partes ruins que percebo em mim. Porque sei que equilibro muitas dessas características com parceria, comunicação e escuta verdadeira, mas não consigo deixar de pensar que o que "deu errado" nos meus relacionamentos foi exatamente minha caça constante por liberdade, pelas as coisas que acredito, por caminhar na rota que indica meu coração. Para mim, sempre teve espaço para encontrarmo...

Choses que j'aime

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Depois de um ano, acho que consigo fazer uma lista de coisas que eu efetivamente gosto de fazer! Coisas me dão prazer no dia a dia e que são espontâneas, gostosas e fazem meu dia mais feliz. 1. Tocar violão 2. Comer bem 3. Pintar / desenhar / fazer colagens 4. Escrever 5. Me exercitar 6. Fazer programas ao ar livre, como ir ao parque ou à praia, com boa companhia! 7. Dançar!! Mas gosto mais sozinha do que acompanhada 8. Escutar música alta no fim do dia 9. Ler, principalmente antes de dormir 10. Ligar ou encontrar meus amigos e botar todo o papo em dia 11. Dormir no mesmo horário e acordar disposta no dia seguinte 12. Estudar e me aperfeiçoar em novas línguas Essa lista é sujeita a alterações, mas que gostoso saber todas essas coisas sobre mim!

Bala

 - Acha que devemos nos beijar? A cena: eu e você sentados no seu sofá às 6h da manhã. Ainda estamos agitados do efeito da bala e minhas costas doem perto da lombar. Minhas pernas estão em cima das suas e suas mãos se ocupam de uma tijela com frutas que você cortou há cinco minutos atrás. Nossos hálitos cheiram a manga fresca. - Sim. - você me responde. E ri. - Também acho que sim. - respondo - Mas espera. Levanto as duas pernas, subo o tronco, passo a perna esquerda por cima das suas e me sento no seu colo, de frente. - Quero antes sentir sua respiração e seu pulso. Antes de terminar a frase, encosto minha mão no seu pescoço e procuro seu pulso com dois dedos. Ao mesmo tempo, aproximo meu rosto do seu, te olho nos olhos, e respiro sua respiração. Sinto que seu cheiro entra em mim e faz um passeio pelas minhas veias. Enquanto passa pelo fluxo do meu corpo, arrepia meus pelos e me faz prender o ar. Seu pulso? Tão rápido. Certamente das substâncias ingeridas combinadas com a...