Ode à la fantaisie

 


Me beija?
Queria que você me beijasse outra vez. Queria que fosse com calma pra sentir seu gosto e seu cheiro.
Já não sei quantas vezes me perdi nas minhas cobertas pensando em você.
Não sei discernir o que é real do que é fantasia, nunca soube. Mas tem algo sobre você que me faz arrepiar dos pés à cabeça. Sinto principalmente acumulando no meu peito, subindo pela garganta e terminando em choro.
Tenho vontade de dizer que sinto saudade, mas ao mesmo tempo sinto que nunca te conheci. Lembro tão bem dos seus olhos tão escuros, talvez os mais escuros que já tenha visto. Não conseguia diferenciar sua pupila da íris, assim como nunca consegui te ver totalmente.
Eu amo a sua doçura. Você é tão doce que dói. Às vezes sinto que seu silêncio é para proteger toda a sensibilidade oceânica que existe em você. Me sinto estranhamente segura com você.
Eu sinto que teria vivido mil vidas com você. No fundo, eu sempre esperei um "estou indo te encontrar" seu. Tenho a impressão que não fui a única que esperou isso.
Queria ter te amado. Às vezes parece que o amor engasgou, tava pronto pra transbordar, mas alguma voz sussurrou "engole o choro" e o amor ficou nesse nó da garganta: nem digerido, nem vomitado. Ficou no limbo das tardes do meu quarto, do seu quarto.
Eu queria te chamar de amor, mas o que sobrou foi a permissão libidinosa pra te chamar pra gozar. Um refúgio da combustão do tesão que mascarava umas boas frustrações. Te convidei pra minha vida centenas de vezes, a maior parte delas na minha cabeça.
De um jeito engraçado acho que nunca daríamos "certo" (já demos, mas tanto faz). Acho que somos um pouco diferentes e que a vida nos empurraria para lugares distintos. Tenho a sensação que você me acompanha(ria) para sempre dentro do seu coração, mas que não me acompanharia se um dia eu acordasse totalmente convicta de que deveríamos morar no Senegal.
Pensar nisso me faz rir um pouco.
Às vezes acho que vou te carregar comigo para sempre e isso me desespera. Não costumo sentir isso. Acho que nunca senti. Eu fecho as portas bem fechadas na minha vida, nunca mais olho para trás, mas com você não é assim. Acho que nunca vai ser, mesmo eu fazendo todo o passo a passo para te tirar de mim.
Respeito sua decisão de nunca ter vindo até mim, assim como você sempre respeitou meus silêncios, limites, meus "nãos". Mas dói um bocado, eu choro quando leio nossas conversas porque é uma mistura de ter perdido algo (que nunca tive) com o sentimento de pertencimento vitalício.
Queria que isso fosse uma carta de amor, mas não sei se isso é amor. Não sei dar nome à isso. Só sei que esquenta na mesma medida que queima, como as suas palmadas.
Carrego tudo comigo.

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