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Le[s] coeur[s] brisé[s]

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- Quer saber? Que se foda você! Bateu a porta forte e a deixou do lado de fora. Estava um frio da porra e Maria estava com um casaco de lã, mais nada por baixo. O sangue subiu e não deu pra congelar no corredor mas talvez um choque térmico possa ter acontecido nesse momento; relaxou os músculos do corpo e contraiu os da face. Tudo errado. Sentiu o nariz esquentar como se fosse chorar mas não precisou fazer muito esforço pra que as lágrimas não caíssem. O corpo captou. Julieta já tinha se trancado no quarto e enfiado a cabeça no travesseiro. Três meses pra isso? Esperou três meses pela notícia - ao vivo - de que estava tudo perdido? Ela tinha se convencido de que já não tinha nenhuma expectativa, mas quando Maria ligou naquele dia de outono dizendo que estava voltando seu coração parou por meio segundo - ela sabe - e algo cresceu nela. O papo não pôde continuar porque ela disse que o tempo estava acabando e não tinha mais moedas para botar no orelhão. Achou normal, afinal ela ...

Piqûres

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Prefiro o som do vem, não vem Que o tato móvel, ignóbil Rêvée que je t'as mangé a commencer par tes lévres Les petites piqûres pour s'adapter Me tinha em ti Me embrulhei e até Sumi

L'air

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Enchi o pulmão e dessa vez consegui soltar o ar. Quase todo, também não dá pra querer tudo de uma vez. Senti um alívio imediato, tirei aquele aperto do peito, consegui sentir meu corpo como meu e só; sou sua única dona. Não que eu não goste de dividir ele com outras pessoas, mas, acredite ou não, agora que soltei as amarras do ar que me prendiam - assim, por dentro - me sinto mais capaz de me doar. Só então consigo regular o que entra e o que sai. Escolho o quanto inspiro, o quanto expiro, quando prendo a respiração - e como prendo! -, mas também quando solto com força, desafogando o diafragma e livrando os ombros. E tudo isso é muito engraçado porque, não sei como, desde que consegui me desamarrar, alguma coisa em mim só atrai felicidade e gratidão. Acho que, com a falta do ar, veio a plenitude da luz: que me integra por dentro e me faz inteira. Dessa vez sem dor nem peso.

Doute

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O sol que queima invade e o peso do tempo nas costas - a melanina - o fardo, pesado a cor da folhagem um suspiro ambíguo a passagem do vento raso escasso e o que sobra é dúvida o embrulho do coração a revolta da razão embaralha os sonhos e o peso, que desgasta os ombros

Respiration

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Dos dilemas do amor: deitados cara a cara e a respiração atrapalha.

Chair

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Quando o vazio do estômago urge, incapaz e a boca saliva             a pele E a fome embrulha a vontade comprime as vísceras e os dentes mordem             a carne Da dor, do som os lábios alcançam o couro cansado             de inópia Quando dá fome aproximam-se os corpos de ausência constante             nutrindo-se

Estatuto do Nascituro

Gostaria de fazer um apelo a todos. Tenho muita gente de várias religiões, vertentes políticas e visões por aqui e respeito, admiro e compreendo todas elas; acho que a pluralidade nos faz mais ricos. No entanto, ando angustiada por um motivo que acho que é do interesse de todos: o estatuto do nascituro¹. O que é o projeto? Ele trata do aborto em caso de estupro. Ele pretende, dentre outras coisas, criminalizar o aborto que é atualmente permitido em caso de violência sexual; identificar o estuprador como pai da criança e botá-lo na certidão de nascimento da mesma; propor ajuda econômica estatal para criar a criança caso o estuprador não arque com a pensão. Por que esse projeto não pode ser aprovado? Mulheres fazem abortos diariamente. Muitas morrem nesse processo. Muitas tem filhos fruto do estupro. Muitas, mesmo com o aborto criminalizado, continuam pagando, continuam fazendo, continuam morrendo. De que adianta proteger a vida se você vai ter um filho que odeia, que não tem condição...