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L'amour on the road

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O amor na estrada tem manias engraçadas. Como o revezamento de mamilos ao pobre coitado que pega a direção e tem as mãos ocupadas. Às vezes com a saliva seca e pura, outras com o gosto de cigarro, mas também acontece com a calda de morango do açaí de sete reais, já quase atropelando um burrinho serelepe solto durante nossas lambanças de mucosas. O chacoalhar nos estacionamentos universitários e as dores nas juntas dos agachamentos contínuos em posições pitorescas, como conclusão inesperada, gastam os amortecedores nas quicadas pulsantes prensadas a frio - como o suor - de nervosismo tesalucinante nos dias quentes das tardes sem fim. De putaria clássica, a rápida punheta despretenciosa que surpreendentemente (ninguém esperava!) vira uma sucção demorada e ansiosa entre passadas de marcha na BR 101. Nas paradas necessárias, rápidas inserções manuais em canais vaginas e esfíncteres. Com areia quando necessário pela textura tesão-contínuo nas paredes vascularizadas. Mucosa com mucos...

Moisés

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Queria contar pra vocês minha história com um rapaz chamado Moisés. Moisés tem entre 20 e 21 anos. Ele deve ter 1,8m pra mais, é esbelto e bem bonito. Conheci Moisés no final do ano passado voltando a pé da UFRJ depois de ter bebido umas cervejas. No nosso primeiro encontro Moisés puxou minha bolsa e em seguida me acertou um soco na cara. Nosso diálogo foi rápido e intenso: "Não reage, não fala nada" Enquanto corria eufórica atrás dele, desferi as palavras: "Por que você tá fazendo isso?" Nosso único diálogo. Moisés morou na minha cabeça durante alguns dias. A sensação? Algo entre cuidado e angústia. Moisés foi preso na mesma noite e eu precisei pegar minha bolsa e documentos na delegacia. Minha primeira noite de insônia pensando nele deu vida a uma cartinha que escrevi a mão. Fortuitamente ou não essa carta nunca pôde ser entregue. Tive, então, meu segundo encontro com Moisés em uma sala de reconhecimento. O medo de ser vista só era superado pelo d...

Le féminin sacré

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Aqui algumas reflexões sobre o "sagrado feminino". Em algum momento li "Está a mulher para o homem assim como a natureza para a cultura?" de Sherry Ortner, onde ela que diz que enquanto o corpo biológico masculino é projetado para ele mesmo, o corpo biológico feminino é projetado para outro ser, para uma criança que está por vir, para a natureza. Os processos que vivemos relacionados ao útero são dolorosos e desgastantes durante a vida: a menstruação (pré, durante e pós), a gestação, parir, a lactação e a menopausa. Existe aí, sim, algo que grita e que não é nosso. Como se o bom funcionamento do corpo fosse interrompido por uma doença súbita, algo que nos põe de cama, nos deixa com cólica, estressadas ou tristes. Esses processos acontecem quando adoecemos e muitas de nós passam por eles mensalmente - a interrupção do "correto" funcionamento corporal. Não por esse "chamado da natureza", no entanto, que me parece correto crer que temos algo ~...

Assaut

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Se apaixonar parece ser assaltada. Às vezes você sente que algo está por vir, ou até que já aconteceu. Eu chamo isso, particularmente, de estalo. Geralmente eu ignora o estalo mas ele grita fazendo um escândalo dentro do estômago - ah! e como grita. Daí a abordagem: rápida, astuta, de surpresa. O coração palpita, as pupilas dobram de tamanho, os hormônios fogem pelos poros. Viro bicho. O diálogo, essencial, calculado - não posso xingar, não posso me declarar, não posso correr, não posso te agarrar. Te olho no olho, olho a boca, as mãos. Te leio cima abaixo. Quero segurar seus pulsos, te quero meio longe meio perto. Tenho medo de quanto está perto mas o longe continua sendo assustador. Entrego tudo: a bolsa, o celular, o corpo, o coração. Entrego os beijos e a palpitação. O som. Não me sinto obrigada, dou porque quero, podia não dar. Mas... e se não desse? Me arrependeria, sofreria, me safaria? Prefiro entregar tudo, mas já aconteceu de não o fazer. Te tomo algo algo também - ...

Rafael

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Já meio atrasada parei no sinal. Impaciente. Vi um homem, alto, usava uma bermuda e nenhuma camisa. Tava calor pra caralho. Pediu alguma coisa pra uma menina que tava esperando o sinal abrir. Depois de uma provável recusa ele se afastou e a menina foi pro meio da rua. Ele continuou. Entrou em uma lanchonete e falou com outra mulher – depois de passar por uns dois homens que também estavam sentados no balcão. Falou alguma coisa, a mulher lhe deu uma nota de dois reais e mais algumas moedas. Ele parecia apontar pra uma lanchonete do outro lado da rua. Atravessei quando o sinal fechou. Cheguei perto, ele nem percebeu. “Ei, nego, vamo lá que eu te pago” Toquei nele. A pele seca. “Pô, brigadão” Entramos numa lanchonete que tinham uns pratos feitos. Um chinês atendia. Em cima dele um cardápio com vários pratos, de R$15 a R$19. “O que você quer?” “Frango empanado” Debrucei no balcão. Pedi um frango empanado pro chinês. “Pode ser um guaraná também?”, ele pediu. Não...

Violence

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Violência é viver contrapôr a ordem, ser orgânico Na coerção maquínica corpos não se reconhecem a dor é seiva viva Do que nos alimenta falta o entralaçar dos olhares mas, cruamente, falta o próprio alimento Privilégio não é levantar a voz é continuar vivo - que milagre! No tanger das peles não se sente mais nada; gozo mecânico, alegria calculada Preenchendo de vazio, curando a doença com o frio, voltando a pé pra casa - se houver casa Privilégio é não morrer de fome é sobreviver violência parece pré requisito pra viver

Tomber amoureuse

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"Você se apaixona muito fácil" "Apaixono nada", pensei. Que bobeira. Como assim apaixono fácil? Às vezes tenho umas epifanias, uns tremeliques, um apertinho engraçado. Nada demais, todo mundo tem. Conheci um menino. Ronaldo. 12 anos. Não sei se mora na rua mas está sempre nela. Encontrei ele três vezes na vida. Abraço ele forte, dou beijinhos no pescoço, finjo que fico brava quando ele mente dizendo que foi pra casa. Hoje vou pra onde ele costuma ficar. Estou nervosa. Fiquei pensando em como vai ser nosso encontro, que queria levar um livro para lermos juntos, de que forma vou abraçá-lo e se dessa vez ele vai me contar um pouquinho mais sobre a sua vida. Putz, acho que por isso dizem que me apaixono fácil. Não é, então, um estado de espírito. É ser. Eu sou apaixonada. Aceito, então. Me apaixono assim o tempo inteiro. Conto os minutos no relógio.