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Eu te amo Chico Buarque

Composição: Tom Jobim / Chico Buarque Ah, se já perdemos a noção da hora Se juntos já jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir Ah, se ao te conhecer Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde é que inda posso ir Se nós nas travessuras das noites eternas Já confundimos tanto as nossas pernas Diz com que pernas eu devo seguir Se entornaste a nossa sorte pelo chão Se na bagunça do teu coração Meu sangue errou de veia e se perdeu Como, se na desordem do armário embutido Meu paletó enlaça o teu vestido E o meu sapato inda pisa no teu Como, se nos amamos feito dois pagãos Teus seios ainda estão nas minhas mãos Me explica com que cara eu vou sair Não, acho que estás te fazendo de tonta Te dei meus olhos pra tomares conta Agora conta como hei de partir. Tive um bom dia hoje, e o pior é que foi ruim.

"...preciso ser humana."

Há algo de maravilhoso no ar. Sinto que as coisas estão se tornando desnecessárias, eu me sinto tão bem, me sinto tão humana. É disso que somos feitos, não existe nada material, existe sentimento. Eu não tenho porquê me aborrecer, é tudo tão ótimo, pra quê arranjar desculpas pra estar mal? É maravilhoso sentir. De verdade. Existe tanta coisa mais pra se ver, pra entender, ou até mesmo pra não entender, mas só pra viver. Ah, viver! Eu quero viver! Não quero a mesma vida que as outras pessoas, eu quero ser diferente, eu quero amar muito, eu quero mostrar pras pessoas que eu gosto dela, quero ser intensa, quero me interessar pelos outros, quero conhecer gente nova, fazer cada segundo feliz e produtivo. Não quero desperdiçar minha vida, não quero desperdiçar nada. Tenho disposição, tenho gente que me ama, tenho uma alma. Não me basta mais nada, não mesmo. E, ah, eu tenho minhas futilidades, mas quero me desprender disso. Quero ser sentimento, quero ser uma poesia ambulante, quero ser gente...

#03

O ônibus balançava com brutalidade. O calor de trinta graus na sombra não ajudava aquela tarde à melhorar, felizmente ventava de leve e era a única coisa que havia de refrescante dentro do automóvel. Haviam dez pessoas no máximo, e o suor escorri na testa enrrugada do trocador; aquilo definitivamente não era para ele. Uma garota confusa ofereceu-lhe dinheiro, e era tentador pegá-lo, mas o motorista estava de olho por causa da última vez que furtou algo. Um garoto entrou, o ônibus todo olhou-o com desconfiança. Tinha um maço de cigarro nas mãos, louro natural nos cabelos, a pele levemente morena e no máximo doze anos na cara. - Quanto é a passagem? O trocador olhou-o de lado, abriu a boca, fechou, e finalmente disse. - Dois e vinte - respondeu mau-humorado. O garoto tirou uma nota de cinco reais da parte plástica do maço e lhe entregou, recebendo o troco em moedas de pequeno valor, pondo-as no bolso da bermuda larga. Sentou-se na frente de uma menina de uniforme, o ônibus balançava com ...

Quote

"Sentindo os pequenos flocos tocando suas grossas camadas de roupas, ela não sentia mais frio, e sim quentura. Oh, o que poderia cortar o final congelante do outono de Londres? “Amor”, pensou. “Ah, o meu amor”. Nada mais fazia sentido. Havia se demorado tanto. Seu sentimento estava tão guardado, esperando um momento de frio desses para esquentá-la. E como ingrata ela havia sido. Precisava de algo, precisava de alguém. Não necessariamente de tocar nisso ou nessa pessoa, mas só pensar. Era o que lhe bastava, nada mais. Satisfazia-se com o fato de ser sempre amada dentro dela mesmo. Talvez até por ela mesma, mas isso era reflexão para um momento qualquer. Agora, ah, agora ela pensava nele. E como seu coração se enchia de felicidade. E como seus lábios ofegantes soltavam pequenas nuvens de fumaça gelada enquanto quase corria pelas ruas de Londres. E não sabia se estava bem, ou se estaria bem, só sabia que algo peculiarmente magnífico acontecia dentro dela. Seus sapatos faziam barulhos...

30 pedidos de momento

Eu, buscando essa perfeição inexistente. É como se não houvesse nada, só vazio. Certas coisas preenchem tanto o meu coração quando vento. Não dá pra fingir, eu não consigo mentir pra mim mesma. Ah, eu já nem sei mais o que quero. Ou se espero. Queria, não sei, queria o Hygor. Pra poder ligar pra ele essa hora e sairmos dando gargalhadas por aí. Quero o Shido pra dizer que eu sou inconsequênte e estranhamente amável. Quero segurar na cintura do Lucas, xingar o Pepê e dar um abraço no Matheus. Queria o Luciano pra me olhar com seus olhos tristes e dar seus sorrisinhos bobos. Ou o Yuri pedindo pra eu cantar Beatles pra ele quase de madrugada. Aceitaria até uma conversa boba com o Diego sobre esquimós e procriação. Ou quem sabe uma desculpa do Nih, dizendo que sempre me amou e que eu sou importante pra ele. Queria olhar nos olhos do Alexandre e dizer como ele é babaca e ao mesmo tempo o homem da minha vida. E como tenho saudades dos cigarros anti-alérgicos do Soubi, ou dos carinhos do Sha...

Sobre a vida

Comecei a noite de ontem com meu telefone tocando dentro do ônibus do metrô: "- Fala, pepê. - Bia, a Fátima morreu." Maristela. Foi a primeira coisa que pensei. Veio aquela dor no coração, esperei um pouco pro Pepê falar algo como "Brincadeirinha, ela já tá boa e tá voltando pro Rio!" e provavelmente eu diria algo como "Seu gay viado, não brinca com isso!", mas por mais que eu adore chingar ele não poderia ter aquele prazer no momento. E realmente não teria. Quando cheguei em casa escrevi uma carta pra Maristela, claro. Confesso que não sou boa com palavras de consolo, percebi isso quando o Hygor falou-me dos sobrinhos dele e era como se, sei lá, eu só não conseguia entender o que ele sentia. Agora eu entendo. O fato é que, como eu disse antes, Deus sabe o que faz. Não sei, as coisas são muito complicadas. Tem gente aí que é ruim que dói e não morre, e pessoas maravilhosas como ela se vão. O fato, que inclusive foi o que escrevi para minha querida ex-orien...

Sobre lixo

Eu sempre fui o tipo da pessoa meio indecisa. Na verdade eu nunca soube direito o que queria, mas sabia exatamente do que não queria. Isso até me faz lembrar de um filme que eu vi à pouco tempo com direito a boa companhia e tudo do Woody Allen, Vicky Christina Barcelona. Não vou dar sinopses de filmes por aqui, mas fica a dica pra quem gosta de filmes doidinhos. O foco desse post, no entanto, foi uma conversa. Não vou dar mais detalhes porque eu não sei quem são as malditas pessoas que lêem isso daqui, mas o importante é que eu parei pra pensar muito depois dela e ando fazendo decisões. Mesmo eu sendo escrupulosa, pensando trocentas vezes antes de falar coisas que possam machucar os outros e sentindo pena, muita pena, eu não gosto de ser afetada porque sou incapaz de dizer certas verdades. Me cansou, eu não quero, eu não tenho condições emocionais pra suportar isso e, sim, vai morrer pra mim. E eu deveria ser menos cruel, pensar nos bons momentos e todo esse sentimentalismo de quinta, ...